sexta-feira, 18 de abril de 2014

Teste: Harley-Davidson Tri Glide Ultra - Melhor de três

Teste: Harley-Davidson Tri Glide Ultra - Melhor de três
Baseada clássica Electra Glide, triciclo da Harley-Davidson acelera na Itália e mira o Brasil

por Carlo Valente
do InfoMotori.com/Itália
com Raphael Panaro
Auto Press

Mesmo entre as marcas tradicionalistas, seja de automóveis ou motocicletas, é preciso inovar. E foi isso que a Harley-Davidson fez ao criar um triciclo batizado de Tri Glide, em 2008. Agora, o mais novo veículo de três rodas da marca norte-americana arruma as malas para desembarcar no Brasil. A histórica fabricante ainda não confirmou a data específica, mas até o final do ano deve aparecer nas concessionárias nacionais. O triciclo até já deu as caras no cenário brasileiro em 2011, durante o Salão Duas Rodas, para um “feedback” local em relação ao modelo. Mas a história de três rodas não é completamente inédita para a Harley-Davidson. Entre 1932 e 1973,  a marca produziu veículos desse tipo, mas levavam o nome Servi-Car. Tempos depois, a empresa  Lehman Trikes começou a transformar motos da marca de Milwaukee em triciclos. Em 2008, a Harley entrou em acordo com essa companhia para fornecer peças genuínas para a composição. Mas, com a morte do fundador John Lehman, em janeiro de 2012, a Tri Glide passou a ser feita exclusivamente pela Harley-Davidson.

No visual, a Tri Glide é bem parecida com a moto em que é baseada – a Electra Glide Ultra. Além da roda extra na traseira, as diferenças estão nas laterais onde os baús foram suprimidos em função da maior largura e dos pára-lamas das rodas traseiras. Mas essa medida permitiu um ganho de espaço e a instalação de um porta-mala traseiro com chave e boa capacidade de 190 litros – sem contar o tourpak que segue intacto. Na frente, o farol é novo, com luzes diurnas e dois blocos elípticos para os fachos baixo e alto, além das unidades de neblina nas laterais – tudo em led. O conjunto ainda conta com freios de duplo disco com seis pistões na roda dianteira de 16 polegadas, calçadas com pneus 180/65 e pinças da renomada marca Brembo. Atrás, o pneus 205/65 envolvem as rodas de 15 polegadas.


Para dar suporte ao veículo de três rodas, a Harley-Davidson promoveu algumas modificações. O chassi tubular é novo para garantir segurança e conforto. As alterações na aquitetura visaram dar maior rigidez à motocicleta em mudanças de direção e também suportar o peso de 551 kg – em ordem de marcha. Em 2013, a motocicleta ainda passou pelo crivo do Projeto Rushmore, cujo objetivo é melhorar a interação dos usuários com seus veículos. No Tri Glide, surgiram novidades na entrada de ar no para-brisas para diminuir a turbulência e arrasto aerodinâmico, dimmer para o painel central e um sistema de infoentretenimento mais completo, além claro da revisão do motor que ganhou dupla refrigeração. O nome do Projeto vem do monte esculpido com as faces dos ex-presidentes norte-americanos George Washington, Thomas Jefferson, Theodore Roosevelt e Abraham Lincoln, no estado da Dakota do Sul, nos Estados Unidos.

Na parte mecânica, o triciclo utiliza o mesmo propulsor Twin Cooled Twin Cam 103 – número referente ao volume de deslocamento em polegadas cúbicas – da clássica Electra Glide Ultra. O dois cilindros dispostos em “V” de 1.690 cm³ teve o cabeçote refeito, que passa a usar um sistema de refrigeração dupla, com arrefecimento líquido para o cabeçote e a ar para o bloco. O sistema de admissão é novo e privilegia mais força em baixas rotações. O torque agora chega a 14,4 kgfm a 3.250 rpm. A transmissão conta com um câmbio de seis velocidades com o Cruise Drive, onde a sexta marcha  funciona como overdrive e faz o motor trabalhar em giros menores para um maior conforto e redução no consumo de combustível.


Como o triciclo é feito para “devorar” quilômetros de estradas, pilotos e garupas mereceram uma atenção extra já que o intuito de uma moto touring é desfrutar cada metro percorrido. A fabricante norte-americana equipou o Tri Glide com algumas comodidades. A começar pelo assento em dois níveis com encosto para as costas do passageiro. Há também plataforma integral para os pés e o porta-malas leva dois capacete. Como uma moto moderna, o triciclo ainda vem com piloto automático, tela de 6,5 polegadas com sistema de navegação, Bluetooth e comando de voz. A qualidade do dispositivo de som é garantida pela marca premium Harman-Kardon – presente em automóveis de luxo –, com alto-falantes na dianteira e também na “ poltrona” do passageiro. A Tri Glide não é um moto barata. Por toda comodidade e por levar a logo da Harley-Davidson, ela custa 36.800 euros – cerca de R$ 111.500. O preço no Brasil não está definido.


Primeiras impressõesComo se fossem duas
por Carlo Valente
do InfoMotori.com/Itália
exclusivo no Brasil para Auto Press


Lombardia/Itáli
a – O passeio começa em um lugar circundado de montanhas e lagos. Nesse cenário, o triciclo da Harley-Davidson mostrou sua peculiaridades, compostura e grande segurança desde que o motor foi ligado. O barulho da Tri Glide não é invasivo no trânsito. Com um escapamento normal, o som do propulsor de 1.690 cc não se identifica com o “ronco” clássico de uma Harley-Davidson. A motocicleta tem um rodar suave como uma seda e transmite uma sensação de liberdade e completo domínio da estrada. O panorama ainda é brindado com as vistas mais deslumbrantes da região.


As mudanças de marcha são harmoniosas e o poder de manobrabilidade e de frenagem são excelentes – apesar dos 551 kg. Com fones de ouvidos integrados no capacete, a música a ser ouvida pode ser escolhida por meio de botões no guidão ou direto na tela, que tem um manuseio fácil mesmo que o piloto esteja usando um par de luvas. A conversa com quem vai na garupa também pode ser feita através de microfones no capacete. O mais importante é que, na Itália e em outros países, não é necessário tirar uma nova permissão para dirigir o Tri Glide Ultra. A habilitação para carros de passeio já é o suficiente. Uma facilidade e um estímulo para quem quiser adquirir uma autêntica Harley-Davidson.


Ficha técnicaHarley-Davidson Tri Glide Ultra

Motor: A gasolina, quatro tempos, 1.690 cm³, dois cilindros em V, duas válvulas por cilindro, comando simples no cabeçote e refrigeração mista. Injeção eletrônica multiponto sequencial e acelerador eletrônico.
Câmbio: Manual de seis marchas com transmissão por corrente.
Potência máxima: Não divulgada.
Torque máximo: 14,4 kgfm a 3.250 rpm.
Diâmetro e curso: 98,4 mm X 111,1 mm. Taxa de compressão: 10,0:1.
Suspensão: Dianteira com garfo telescópico e mola helicoidal. Traseira com monoamortecedor e mola helicoidal.
Pneus:  180/65 R16 na frente e 205/65 R15 atrás.
Freios: Discos duplos de 320 mm de diâmetro e pinça com seis pistões na frente e um pistão flutuante atrás.
Dimensões: 2,67 metros de comprimento total, 0,97 m de largura, 1,45 m de altura, 1,67 m de distância entre-eixos e 0,72 m de altura do assento.
Peso em ordem de marcha: 551 kg.
Tanque do combustível: 22,7 litros.
Produção: York, Estados Unidos
Lançamento mundial: 2013.
Preço na Itália: 36.800 euros, cerca de R$ 111.500.

Honda mostra edição especial da Falcon inspirada na Africa Twin


POST_FalconSE_01A Falcon Special Edition tem grafismos inspirados na bigtrail dos anos 1990
Na segunda quinzena de abril, os fãs da Honda NX400i Falcon vão poder optar por uma edição especial da trail. Chamada de NX Falcon Special Edition, a nova versão trará uma roupagem inspirada na lendária XRV 750 Africa Twin, bigtrail da marca japonesa que fez sucesso na década de 1990 com sua robustez e o torcudo motor V2. Com a cor branca predominante, os grafismos em azul claro e escuro e na cor vermelha homenageiam a Africa Twin. Enquanto os fãs devem curtir, os críticos de plantão irão observar que não há nada de novo, exceto a roupagem.
POST_FalconSE_03Edição especial da Falcon, vai ser lançada no 2º Nordeste Motor Show, que começa hoje (10/4) em Olinda
A edição especial da Falcon vai fazer sua estreia para o público pernambucano (e nordestino), durante o 2º Nordeste MotorShow (Salão Internacional de Veículos de Duas Rodas, Quatro Rodas e Náuticos), que acontece de hoje (10/4) até o domingo, dia 13,  no centro de Convenções Pernambuco, em Olinda (PE). Segundo a fabricante, a nova versão da “Falcon” estará disponível nas concessionárias Honda já na segunda quinzena de abril. O preço ainda não foi divulgado.
Africa_TwinXRV 750 Africa Twin que “inspirou'' a Falcon Special Edition: bem que a Honda podia ter copiado o banco azul e os aros dourados, não é mesmo?
Além de expor a Falcon Special Edition, a Honda também irá apresentar para o público a nova versão de seu quadriciclo TRX 420 Four Trax. O ATV da Honda teve seu design renovado, principalmente na parte dianteira, recebeu novas carenagens e seu chassi foi redesenhado. A novidade chega ao mercado ainda em abril e estará disponível nas cores verde e vermelho, nas versões 4×2 e 4×4. O preço público sugerido é de R$ 18.890 para a versão 4×2 e R$ 20.990 para a 4×4 (valores base SP e não incluem frete e seguro). Os ingressos para o 2° Nordeste MotorShow custam R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia). Para mais informações sobre o evento, acesse www.nordestemotorshow.com.br. (Por Roberto Brandão Filho)

POST_Four_TraxO novo TRX 420 Four Trax foi reformulado e chega às concessionárias da marca ainda este mês, em duas versões

Ducati anuncia produção da aventureira Multistrada 1200 no Brasil

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A italiana Ducati anunciou nesta semana a produção nacional da aventureira Multistrada 1200. De acordo com a marca, a montagem da moto acontece no pólo industrial de Manaus, no Amazonas, e faz parte da segunda etapa do plano de montagem nacional da empresa. A big-trail passa a ser o terceiro modelo produzido pela marca no Brasil, unindo-se à Monster 796 e à Diavel. Toda a operação acontece em parceria com a Dafra.
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A expectativa é iniciar as atividades produzindo diariamente cerca de 10 unidades. “Números representativos e que nos garantem atender a demanda atual por produtos da marca no Brasil. A iniciativa de investir no aumento da produção reforça, mais uma vez, nossa aposta no mercado do brasileiro”, afirma Ricardo Susini, diretor-geral da Ducati no Brasil. “Queremos tornar operação nacional uma das cinco mais importantes no mundo e principal fornecedora para a região da América Latina”, completa o executivo.
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A gama da Multistrada 1200 nacional será composta por três versões: Multistrada 1200, ABS Multistrada 1200 S Touring e Multistrada Pikes Peak. A primeira tem preço sugerido de R$ 59.900 e sai de fábrica equipada com freios Bosch-Brembo ABS 9ME, Riding Modes, Ride-by-Wire, Ducati Traction Control de 8 níveis, painel digital, chave de reconhecimento de presença e faróis diurnos em led.
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A intermediária agrega ainda suspensão eletrônica semi-ativa Sachs na dianteira e na traseira que fazem parte do fascinante sistema Ducati Skyhook Suspension, manoplas aquecidas, bagageiro lateral (58 litros) e cavalete central por R$ 71.900.
Por fim, a topo de linha, que sai por R$ 81.900, adiciona entradas de ar frontais, protetor frontal, tampa da correia do comando, para-lama dianteiro e extratores de ar laterais em fibra de carbono; escapamento Termignoni de fibra de carbono, entre outros.

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Volta por cima: marcas de motos tradicionais que renasceram após falência

Na história das duas rodas, as marcas europeias e americanas aparecem como as mais importantes, pois criaram a cultura do motociclismo. Porém, nem mesmo a tradição foi suficiente para suportar a concorrência das motos japonesas, que se espalharam pelo mundo na década de 1960, e muitas fábricas dos dois polos, criadas no início do século 20, foram à falência nsse período.

Mas nem tudo estava totalmente perdido: com dinheiro de novos investidores, algumas delas deram a volta por cima e retornaram à vida, preservando a essência do passado em seus novos modelos. Conheça abaixo quatro histórias de montadoras seculares que chegaram a desaparecer, mas estão de volta à ativa e podem até vir ao Brasil nos próximos anos.
HOREX
Tradicional fabricante alemã criada em 1923 por Fritz Kleemann, cujo nome une a abreviação "HO" -- de Bad Homburg, cidade alemã onde a marca surgiu -- com a palavra "Rex", usada por seu pai para denominar uma loja de jarras de vidros da família.

Em 25, fundiu-se com a fabricante de motores Columbus e passou a cuidar da produção completa, dando à luz, no fim dos anos 40, a um de seus modelos mais icônicos: o SB 35 Regina. Em 1956, devido às quedas das vendas, a Horex parou de produzir motos e seguiu apenas nos segmentos de ciclomotores, scooters e suprimento de peças para a Daimler-Benz. Quatro anos depois, foi comprada pela Daimler e teve suas atividades totalmente encerradas.

O retorno aconteceu em 2010, durante o Intermot, tradicional Salão de Motos que acontece em Colônia (Alemanha). Lá, a marca apresentou o VR6 Roadster, um modelo totalmente novo. No final do ano passado, anunciou mais duas versões para a motocicleta, VR6 Classic e VR6 Café Racer 33 LTD, e já Atua com concessionários na Alemanha, Suíça e Áustria.
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INDIAN MOTORCYCLES
Primeira construtora de motocicletas dos Estados Unidos, a Indian Motorcycles surgiu em 1901, como Hendee Manufacturing Company -- o nome só seria alterado em 1923. Pouco tempo depois, na década de 1910, já havia se tornado a maior fabricante de motocicletas do mundo. Durante a Primeira Guerra Mundial, chegou a enviar mais de 40 mil unidades para os aliados da Tríplice Entente.

Entre 1919 e 22, criou duas de suas motos mais famosas, a Scout V2, em versões de 600 a 1200 cm³, e a Indian Chief. No entanto, depois de suprir motocicletas aos Aliados durante a Segunda Guerra, enfrentou dificuldades para se reinserir no mercado civil e, em 1953, foi à bancarrota.

Desde então, os direitos da marca passaram pelas mãos de diversos empreendedores, mas só a Polaris -- principal fabricante de UTVs e ATVs dos EUA --, em 2011, conseguiu reerguê-la. O processo começou com a produção de um novo motor, o Thunder Stroke 111, e continuou com o surgimento da família Indian Chief, no ano passado, com três versões: Chief Classic, Chief Vintage e Chieftain. Todas já estão à venda nos EUA e, de acordo com a Polaris, devem chegar ao Brasil em breve, talvez já em 2014.
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MOTO MORINI
Mesmo estando entre as mais famosas do mundo, as marcas italianas também sucumbiram à invasão japonesa. Um exemplo é a Moto Morini, fundada em 1937 por Alfonso Morini. Exatas cinco décadas mais tarde, a fábrica foi vendida para a Cagiva, passando depois a fazer parte do Texas Pacific Group, que também controlava da Ducati.

Só em 1999 os direitos voltaram à família Morini, tendo sido adquiridos pela Morini Franco Motori Spa, uma empresa do sobrinho de Alfonso. Sob essa tutela, a companhia conseguiu sobreviver até 2009, até ser liquidada e ter suas últimas motos leiloadas.
A reviravolta veio pouco depois: em março de 2012, a Moto Morini anunciou sua volta ao mercado com a produção de uma edição especial, a Rebello 1200 Giubileo. Hoje a marca conta com cinco modelos em sua linha, com vendas espalhadas pela Europa. Todas as motocicletas ano 2014 usam o motor V-Twin, de 1.200 cc, capaz de gerar 135 cavalos de potência.
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NORTON MOTORCYCLES
Fundada por James Lansdowne Norton, a fabricante britânica nasceu em 1898, produzindo correntes para bicicletas e motocicletas. Quatro anos depois, passou a fabricar motos próprias, utilizando motores de outras empresas como base. A partir de 1908, começou a produzir motocicletas completas até meados dos anos 70, quando não conseguiu fazer frente à competitividade de rivais nipônicas, como Honda e Yamaha, e faliu.
Após diversas tentativas de ressurgimento, a Norton enfim se reergueu em 2009, ao ser adquirida por Stuart Garner, um empresário britânico fã da marca. A empresa passou por um processo de reestruturação e voltou a produzir há cerca de cinco anos, em uma fábrica próxima a Donington Park (famoso circuito de corridas). 
Em 2012, com o aumento lento e gradativo da produção de três versões da clássica Norton Commando (961SF, 961 Café Recer e 961 Sport), a companhia expandiu seus negócios a outros países da Europa e também para os Estados Unidos.
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